A CONVERsão DA ETIÓPIA
COMO AXUM SE TORNOU O PRIMEIRO REINO CRISTÃO
Tudo começou com Frumêncio (Frumentius) e seu irmão Edésio (Aedesius) que eram jovens cristãos, provavelmente de Tiro (atual Líbano/Fenícia). Eles estavam em um navio que foi atacado ou naufragou no Mar Vermelho. Todos foram mortos, exceto os dois irmãos. Foram levados como escravos/prisioneiros para a corte real de Axum, o principal reino da região. Ganharam a confiança do rei e, após a morte dele, atuaram como regentes/tutores do príncipe herdeiro Ezana.
Frumêncio começou a evangelizar discretamente: reunia mercadores cristãos que passavam por lá (Axum era um grande centro comercial), construiu uma casa de oração e fez alguns convertidos.
Quando tiveram liberdade, Edésio voltou para casa. Frumêncio foi a Alexandria (Egito) falar com Atanásio, um dos grandes bispos da época (famoso por combater o arianismo).
Atanásio, em vez de enviar outro bispo, consagrou o próprio Frumêncio como primeiro bispo de Axum.
Frumêncio voltou, batizou o rei Ezana, e o cristianismo se tornou a religião oficial do reino.
Importância maior desse evento
Axum foi um dos primeiros reinos do mundo a adotar o cristianismo como religião de Estado (junto com a Armênia e antes da conversão oficial do Império Romano por Teodósio). A Igreja Etíope (Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo) nasceu daí. Ela ficou ligada à Igreja Copta de Alexandria (Igreja-Mãe), mantendo até hoje a tradição miafisita (não calcedônia).
Diferentemente da Igreja Copta (que ficou no Egito, sob domínio muçulmano a partir do século VII), a Igreja Etíope se desenvolveu em uma região cristã majoritária nas montanhas da Etiópia, resistindo ao islamismo e mantendo uma identidade cristã forte até os dias de hoje.
Fontes antigas
A principal fonte dessa história vem de Rufino de Aquileia (historiador do século IV/V), que ouviu o relato diretamente de Edésio. Outros historiadores eclesiásticos (Sócrates, Sozomeno, Teodoreto) também registraram a mesma tradição.
Esse é um exemplo clássico de como o cristianismo se espalhou não só pela Europa (via monges, como falamos antes), mas também na África Oriental através de comércio, relações pessoais e iniciativa individual, muito antes das missões modernas.